Ganhe Mais (Capítulo 4)

Eu sai do quarto e comecei a caminhar de volta para sala de estar, onde eu cai, chorando quando lembrei do que tinha acontecido mais cedo.

mandou bem!!

Eu rolei os meus olhos para mim mesma. Deveria me sentir envergonhada, mas aquelas pessoas que tinham que sentir vergonha.

Por enquanto, eu estava usando um cachecol que eu encontrei no quarto do Panda para cobrir a minha cabeça. Porque ele tinha um cachecol entre as suas roupas, eu não fazia ideia. Todos estavam em seus próprios quartos, e os seus nomes estavam impressos em placas que foram colocados na frente dos seus quartos. Estou contente que quem quer que veio e executou essa ideia, por causa disso, eu saiba aonde era os seus quartos.

Enquanto eu vivia com o meu tio, ele pediria para as pessoas raspar os nossos cabelos, então isso iria ser pouco atraente, até mesmo se acontecesse de aparecer um príncipe encantado que nos viu e queria nos resgatar. ‘Nós’, sendo a minha irmã e eu, porque, no momento que o meu tio apareceu com essa teoria louca, meu irmão já tinha ido.

Nós raspamos nossos cabelos completamente e nós continuamos fazendo isso por anos. Isso foi depois que o deixei que Race correu apressadamente, comprando uma peruca para mim, o que eu estive usando desde então.

Eu abri a porta e sai rapidamente. “Oi Peeps! jantar?” Eu acenei a cabeça para Shirtless, piscando para Maho e tentei tocar as bochechas de Blue de novo, mas ele afastou a minha mão para longe.

“Não é minha culpa se sua bochechas estão me chamando”. Estiquei as minhas mãos na minha frente e comecei a me comportei como um zombie. “Tocar… mais… bochechaaasss”. Aprofundei a minha voz e arrastei para fora o “aa” da palavra bochechas.

Blue só rolou os seus olhos e continuou digitando no seu celular. Foi quando eu percebi que todos estavam nos seus celulares.

Eu apontei. Não tinha um celular. Ninguém tinha me dado um.

meu tio achava melhor não termos celulares para que “não tentássemos nada de errado com ele”. Suas palavras, não minha.

Desde que todos estavam absortos com os seus celulares, eu olhei ao redor para ver quem eu poderia perturbar, bem ciente do fato que embora Panda estivesse no seu celular, ele estava me vendo de canto de olhos. Também tentei procurar a minha peruca sutilmente, mas eu não vi sinal dela.

Quem poderia ter pegado? Tenho certeza que isso estava aqui…

Caminhei até o Mahogany, que tinha descaradamente recusado reconhecer a minha piscadela mais cedo. “E aí, cara?” falei arrastada, enquanto esbarrava meu ombro no dele.

“Hey”. Ele não me olhou enquanto respondia. na verdade, o “ei” dele foi dito tão rápido que eu poderia ter perdido.

“O que aconteceu?” Eu o incentivei mais.

Ele suspirou. “Porque você não se importa com as suas coisas?”

Coloquei as minhas mãos na minha bochecha. “Isso dói, cara. Quero que você saiba que você não chega aos meus pés”.

Ele me olhou. “Só porque nós somos uma gangue, não quer dizer que nós falamos assim.”

“Sim.” Shirtless se pronunciou. “Todas as gangues são peculiares. Nós somos a gangue respeitável. A gangue que fala assim é a gangue BE”.

“A gangue BE?”

“Sim. A gangue Broken Portuguese”.

Minha mandíbula caiu no chão. “O que?”

Blue que tinha ouvido, na verdade todos tinham ouvido, riu. “Soa engraçado, certo? Eu fiquei chocado quando ouvi isso também”.

“Soa mais como hilário”. Eu ri. “Então, qual é a nossa peculiaridade nessa gangue?”

“Oh. Desde que nós somos uma gangue respeitável, nós agimos de acordo.” Snow respondeu.

Acenei lentamente. “Entendi agora”.

“Você entendeu?” Blue respondeu, estudando o meu rosto.

“Não.”

Ele riu, chegando mais perto de mim. “Nós falamos bom português, nos vestimos bem e nós nos comportamos educadamente. É só isso”.

“Okay. isso significa que Maho é um espião? Porque, ele não é educado”. Sorri, tentando ficar debaixo da sua pele.

Ele ergueu a cabeça bruscamente do celular para me encarar, com um olhar mais fulminante que o normal. “Eu não sou um espião”, rosnou.

“Claro. Claro.” Respondi friamente, ignorando o comentário dele. Porém no fundo, eu estava com medo da maneira que a sua expressão facial mudou para algo assustador.

“Ser um espião é uma ofensa séria entre as gangues. Qualquer um pego poderia ser morto. Sem misericórdia”. Blue me respondeu, tentando explicar a mudança repentina do Maho.

“Oh, okay. Isso explica muito”. Respondi de volta.

“Me desculpa se eu te chamei de espião, Maho. Eu só estava brincando.” Me desculpei, não quero ficar mal com ninguém na primeira noite.

“tanto faz”. Ele murmurou, direcionando a sua atenção de volta para o celular.

Acenei e também direcionei a minha atenção de volta para o Blue. “Então você mencionou algo sobre o quão respeitável nós somos da gangue?”

“Sim. Eu falei sobre nós falarmos bom português, nós nos vestimos bem e nós nos comportamos educadamente. Isso basicamente resume tudo que nós fazemos na conexão com a palavra ‘respeitável’. Em todos os outros momentos, nós somos selvagens”. Ele riu maldosamente e esfregou as mãos enquanto os outros murmuravam discordâncias.

“Isso significa que você pede desculpas se estiver prestes a atirar em alguém e agradece depois que alguém atirar em você? Provavelmente você diz ‘por favor’ se quiser esfaquear alguém e ‘com licença’ quando quiser desarmar alguém?”, questionei, completamente perplexa.

Todos caíram na gargalhada, exceto Panda, embora eu pudesse ver que ele estava se esforçando para não rir.

“Nada disso, cabeça-dura. Fazemos uma reverência e nos curvamos em vez disso”, respondeu Icy.

E ele fala! Cantei mentalmente. Desde que voltou, não tinha falado comigo nem com ninguém enquanto eu estava por perto. Comecei a achar que ele não conseguia falar ou algo assim.

Todos caíram na gargalhada novamente com o que ele disse, enquanto eu revirava os olhos até achar que eles se cruzariam para sempre.

“Na verdade, não fazemos nenhuma dessas coisas que você ou a Icy mencionaram”, disse Race quando pararam de rir, embora os sorrisos ainda permanecessem em seus rostos.

“Certo. E quanto às roupas? Tipo, quando vocês vão em missão, ou seja lá como chamam, vocês se vestem de ninjas ou algo assim?” Perguntei mais a fundo.

“Não. Nós somos a turma respeitável. Não usamos essas coisas”, esclareceu Race. “Em vez disso, usamos ternos quando saímos.”

Ele disse o que?!

Olhei para eles e os vi tentando parecer descolados enquanto Race mencionava o que eram. Alguns começaram a levantar a gola de suas camisas polo e a olhar para o horizonte, outros tentavam manter a expressão séria, enquanto alguns exibiam sorrisos irônicos. Icy chegou a colocar óculos de sol.

Á noite.

Balancei a cabeça negativamente para todos eles. Talvez eu não tivesse ouvido direito. “Desculpe, mas vocês usam o que”

“Usamos ternos, mamãe”, respondeu Shirtless.

Dessa vez, o que ele disse fez sentido e meu queixo caiu no chão pela segunda vez naquela noite. Mas não caiu só no chão, rolou até a porta, abriu-a e saiu rolando.

Então continuou rolando, passando por todos os continentes antes de chegar à lua.

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“Mamãe! Mamãe!!” Gritou uma menininha africana.

“Sim, meu bem?” perguntou a mãe, curiosa para saber o que teria deixado a filha tão agitada.

“Veja!” A menina apontou para algo que acabara de passar por ela e se movia em direção à mãe.

Sua mãe se virou para olhar, com os olhos arregalados de surpresa.

Era meu queixo que estava voltando ao normal. Estava vindo da lua e passando por todos os continentes novamente.

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Ok, estou brincando. Mas falando sério, fiquei tão chocada que fiquei sem palavras.

“Vocês usam ternos?”, gaguejei. “O que mais vocês fazem, carregam pastas de escritório?”

“Não. Mas nós carregamos pastas”, respondeu Sugar.

Levantei as mãos para o ar. “Ok, chega. Vou embora. Já tive loucura suficiente por uma noite.”

Saí andando, boquiaberta.

Estou só brincando de novo.

Mas aí, quando cheguei à porta, me virei para eles, querendo desejar-lhes boa noite, quando percebi que todos pareciam inquietos novamente. Bem, todos eles, exceto Race. Era exatamente como da última vez que saí da sala.

“Por que vocês estão…?” Comecei a questionar o comportamento deles quando meus olhos percorreram o cômodo e notei algo no chão. Algo preto, comprido e sedoso. Era o lenço que eu usara antes para cobrir a cabeça.

Isso significava apenas uma coisa. Meu couro cabeludo, com tufos de cabelo espalhados por toda parte — porque meu cabelo não cresce rápido nem de forma uniforme —, estava à mostra para todos verem.

As palavras secaram na minha garganta. O que está acontecendo? Estou destinada a ser humilhada?

Eu não sabia o que fazer, se devia ir buscar ou sair correndo do quarto. No fim, não fiz nenhuma das duas coisas.

Acho que o choque de vivenciar algo assim foi demais para o meu cérebro, porque, de repente, me vi caindo no chão novamente.

Então, sucumbi à escuridão até perder completamente a consciência.

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Desafios de uma Adolescente. 

Desafio 1

Em uma situação em que você se sente constrangida em público, como você lida com isso? Faz birra como uma adolescente ou tenta disfarçar e agir como se nada tivesse acontecido, como uma mulher?

Infelizmente, na maioria das sociedades, espera-se que as mulheres abaixem a cabeça e não contribuam enquanto os “homens” estão falando. Como, então, uma adolescente pode reagir em público depois de ser constrangida publicamente por pessoas que ela não conhece ou, pior ainda, aquela pessoa que ela considera querida quando a sociedade exige que ela não responda? Quando a sociedade espera que ela esconda tudo para não parecer uma mulher autoritária, quando na verdade tudo o que ela quer é ser ouvida? Ser reconhecida? Ser compreendida?

Para alguns, falar com as pessoas não é difícil. Mas e se essas pessoas não estiverem preparadas para ouvir? Para alguns, conversar com os outros não é difícil. Então, mesmo que sejam rejeitados repetidamente, eles se recuperam ainda melhores do que antes. Embora isso também tenha seus limites.

Por quanto tempo alguém precisaria ser rejeitado antes de desistir, por ter perdido a esperança?

Algumas pessoas não têm coragem de falar com os outros. Assim, a possibilidade de serem rejeitadas nunca surge, pois elas mesmas se desautorizam antes mesmo de conseguirem conversar com alguém.

Como lidar com o constrangimento sendo uma adolescente?

Espera-se que uma adolescente arqueie as costas, sorria com confiança sem pestanejar, finja que nada aconteceu, mesmo que a adolescente dentro dela esteja protestando, querendo atacar grosseiramente quem quer que tenha causado tal constrangimento.

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